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2 apoftegmas

Abade Carião

1

Disse o Abade Carião: “Abracei muitas fadigas, mais do que meu filho Zacarias, mas não cheguei à medida dele na humildade e no silêncio”.

2

Houve na Cétia um monge chamado Abade Carião. Este tivera dois filhos, que deixou à sua esposa quando se retirou para o deserto. Depois de tempo, houve fome no Egito, e a esposa, angustiada, foi à Cétia, levando as duas crianças consigo (uma era menino, e chamava-se Zacarias; a outra, menina). Sentou-se longe do ancião, no pântano, pois há um pântano adjacente na Cétia, onde estão construídas as igrejas e onde jorram fontes de água. Na Cétia era costume que, quando chegasse um mulher para falar a seu irmão ou a outra monge afim, conversassem sentados à distância um do outro. Disse, pois, a mulher ao Abade Carião: “Eis que te fizeste monge, e há fome; quem há de sustentar teus filhos?” Respondeu o Abade Carião: “Manda-os aqui”. A mulher então falou aos filhos “Ide ter com vosso pai”. Ora, quando chegaram a este, a menina voltou para junto de sua mãe, ao passo que o menino ficou com o pai. O Abade disse então à mulher: “Está muito bem. Toma a menina e vai-te enquanto eu guardarei o menino”. Assim ele o educou na Cétia, sabendo todos que o menino era filho do ancião. Quando, porém, a criança atingiu certa idade, propagou-se murmuração entre os irmãos acerca do Abade Carião. Ouvindo-o, este disse a seu filho: “Zacarias, levanta-te, vamos embora daqui, porque os Padres estão murmurando”. O pequeno replicou: “Abade, todos aqui sabem que sou teu filho; se, porém, formos para outra parte, não terão motivo para dizer que sou filho teu”. O ancião insistiu: “Levanta-te, vamos daqui”. E foram-te para a Tebaida, onde estabeleceram uma cela. Contudo, depois de poucos dias de permanência aí, espalhou-se o mesmo rumor a respeito do menino. Então disse-lhe o pai: “Zacarias, levanta-te, vamos para a Cétia”. E foram para a Cétia, onde após poucos dias, de novo se propagou a murmuração. À vista disto, Zacarias, o menino, foi ao lago de água cáustica, despiu-se, e nele desceu, mergulhando-se até o nariz. Até ficou muito tempo, ou seja, quanto pôde, de modo que desfigurou seu corpo, pois se tornou como que leproso. Saiu, então, da água, tomou as suas vestes, e foi ter com o pai. Este apenas o reconheceu. Depois, quando o menino foi receber a santa Comunhão como de costume, foi revelado a Santo Isidoro, o presbítero da Cétia, tudo que ele fizera. O presbítero olhou-o, admirou-se e disse: “O menino Zacarias, domingo passado, veio e comungou como homem; agora, porém, tornou-se como anjo”.