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Ora et Labora

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Prólogo e 73 Capítulos

Regra de São Bento

A Regra escrita por São Bento de Núrsia no século VI é o documento fundador da vida monástica no Ocidente. Aqui, o que ela é, como se organiza e como se lê — e, abaixo, o Prólogo e os 73 capítulos.

O que é a Regra de São Bento

A Regra de São Bento é o livro com que São Bento de Núrsia (c. 480–547) ordenou a vida dos monges reunidos em comunidade sob um abade. Foi escrita em latim, provavelmente entre c. 530 e c. 540, em Monte Cassino, e se compõe de um Prólogo e 73 capítulos. Não nasceu como tratado nem como código abstrato: é o texto de um pai que fala a filhos, aberto com a palavra “Escuta”, e que propõe constituir “uma escola de serviço do Senhor” (Prólogo 45). Difundida pelos mosteiros da Europa nos séculos seguintes, tornou-se o documento fundador do monaquismo ocidental e ainda hoje é lida e vivida por beneditinos, cistercienses e outras famílias monásticas.

Bento não escreveu a partir do nada. A maioria dos estudiosos entende que ele retomou e abreviou uma regra anônima um pouco anterior, a chamada Regra do Mestre; o último capítulo remete expressamente às Colações e às Instituições, obras de João Cassiano, e à “Regra de nosso santo Pai Basílio” (RB 73,5). O que lhe é próprio é a medida. O Prólogo promete “nada estabelecer de áspero ou de pesado” (Prólogo 46), e ao abade pede-se que tome a discrição, “mãe das virtudes”, e equilibre tudo “de tal modo, que haja o que os fortes desejam e que os fracos não fujam” (RB 64,19). O próprio autor a chama, ao fim, “esta mínima Regra de iniciação” (RB 73,8).

Como a Regra está organizada

A Regra não tem divisões formais além do Prólogo e dos capítulos, mas a leitura revela blocos de assunto. Primeiro vêm os fundamentos espirituais; depois, a ordem da oração; em seguida, a disciplina, a vida material, a entrada no mosteiro e as relações fraternas, até o capítulo final, que devolve o leitor à Escritura e aos Padres.

  • Fundamentos capítulos 1–7

    Os tipos de monges, a figura do abade e o conselho dos irmãos, os instrumentos das boas obras e as três atitudes de base: obediência, silêncio e humildade.

  • O Ofício Divino capítulos 8–20

    A ordem das Vigílias e das Horas do dia, a distribuição dos salmos ao longo da semana e o modo de salmodiar e de rezar com reverência.

  • Disciplina e governo capítulos 21–30

    Os decanos e o dormitório; a partir do capítulo 23, o código penal: a excomunhão pelas faltas, a solicitude do abade pelos excomungados e a correção dos que não se emendam.

  • Bens, mesa e trabalho capítulos 31–57

    O celeireiro e os objetos do mosteiro, a renúncia à propriedade, os enfermos, as refeições e a leitura à mesa, as satisfações pelas faltas, o trabalho manual, a Quaresma, o oratório, a hospitalidade, o vestuário e os artistas.

  • Admissão e ofícios capítulos 58–66

    A recepção dos noviços e a promessa de estabilidade, conversação dos costumes e obediência; as crianças oferecidas, os sacerdotes e os monges peregrinos; a ordem na comunidade, a escolha do abade, o prior e os porteiros.

  • Vida comum capítulos 67–73

    As relações entre os irmãos: a obediência diante do impossível, a obediência mútua, o bom zelo e, por fim, a Regra apresentada como simples início da vida monástica.

Ora et labora: os três eixos

A fórmula “ora et labora” não está na Regra; é uma síntese posterior. Mas resume com justiça o modo como Bento distribui o dia do monge entre o Ofício Divino, o trabalho e a leitura, de forma que nenhuma das três ocupações devore as outras.

Oração

Treze capítulos regulam o Ofício Divino, o opus Dei do texto latino: sete vezes ao dia e uma vez à noite, a comunidade se reúne para os salmos. Ao sinal, deixa-se o que se tem nas mãos. A atenção pedida é a de quem se sabe diante de Deus e dos anjos, e a oração pessoal deve ser “breve e pura”.

  • “Portanto nada se anteponha ao Ofício Divino.” RB 43,3
  • “e tal seja a nossa presença na salmodia, que nossa mente concorde com nossa voz.” RB 19,7

Trabalho

O capítulo 48 fixa as horas do trabalho manual conforme as estações e não o trata como castigo: viver do trabalho das próprias mãos é traço do verdadeiro monge. A mesma seriedade se estende às coisas mais simples da casa, que o celeireiro deve guardar com reverência, e tudo se faz “comedidamente por causa dos fracos”.

  • “A ociosidade é inimiga da alma” RB 48,1
  • “Veja todos os objetos do mosteiro e demais utensílios como vasos sagrados do altar.” RB 31,10

Leitura

Entre o Ofício e o trabalho, a Regra reserva horas diárias para a leitura, mais longas aos domingos e na Quaresma, quando cada monge recebe um livro da biblioteca. É a raiz do que a tradição chamará lectio divina: uma leitura lenta da Escritura e dos Padres, feita para ser escutada antes de ser estudada.

  • “Ouvir de boa vontade as santas leituras.” RB 4,55
  • “recebam todos respectivamente livros da biblioteca e leiam-nos pela ordem e por inteiro” RB 48,15

A leitura diária da Regra

Nos mosteiros, a Regra não é lida uma vez e posta de lado: lê-se inteira três vezes por ano, um pequeno trecho a cada dia. Na divisão tradicional, são 122 leituras, que recomeçam em 1º de janeiro, em 2 de maio e em 1º de setembro, de modo que cada porção volta três vezes no ano e o texto se torna familiar pela repetição. A leitura do dia apresenta a porção correspondente à data de hoje, e o calendário de leitura mostra todas as 122, dia a dia, para quem quiser acompanhar o ciclo inteiro.

A leitura de hojeO calendário das 122 leituras

Como ler a Regra hoje

A Regra foi escrita para monges, e é como monges que a leem as comunidades que a professam. Mas desde cedo ela alcançou também quem vive fora do claustro. Os oblatos, leigos ligados a um mosteiro, assumem seu espírito na medida do próprio estado de vida; outros leigos e famílias encontram nela critérios concretos para ordenar a casa: a hora fixa da oração, o trabalho bem feito, a escuta, a hospitalidade, a correção paciente. Lê-la assim não é imitar o mosteiro em miniatura, mas aprender com a discrição de Bento o que pode ser vivido aqui e agora, sem forçar o que pertence a outra vocação.

A oblação beneditina

O Prólogo e os 73 capítulos

Prólogo: Prólogo da RegraCapítulo 1: Dos gêneros de mongesCapítulo 2: Como deve ser o AbadeCapítulo 3: Da convocação dos irmãos a conselhoCapítulo 4: Quais são os instrumentos das boas obrasCapítulo 5: Da obediênciaCapítulo 6: Do silêncioCapítulo 7: Da humildadeCapítulo 8: Dos Ofícios Divinos durante a noiteCapítulo 9: Quantos salmos devem ser ditos nas Horas noturnasCapítulo 10: Como será celebrado no verão o louvor divinoCapítulo 11: Como serão celebradas as Vigílias aos domingosCapítulo 12: Como será realizada a solenidade das matinasCapítulo 13: Como serão realizadas as matinas em dia comumCapítulo 14: Como serão celebradas as Vigílias nos natalícios dos SantosCapítulo 15: Em quais épocas será dito o AleluiaCapítulo 16: Como serão celebrados os ofícios durante o diaCapítulo 17: Quantos salmos deverão ser cantados nessas mesmas horasCapítulo 18: Em que ordem os mesmos salmos devem ser ditosCapítulo 19: Da maneira de salmodiarCapítulo 20: Da reverência na oraçãoCapítulo 21: Dos decanos do mosteiroCapítulo 22: Como devem dormir os mongesCapítulo 23: Da excomunhão pelas faltasCapítulo 24: Qual deve ser o modo de proceder-se à excomunhãoCapítulo 25: Das faltas mais gravesCapítulo 26: Dos que sem autorização se juntam aos excomungadosCapítulo 27: Como deve o Abade ser solícito para com os excomungadosCapítulo 28: Daqueles que muitas vezes corrigidos não quiserem emendar-seCapítulo 29: Se devem ser novamente recebidos os irmãos que saem do mosteiroCapítulo 30: De que maneira serão corrigidos os de menor idadeCapítulo 31: Como deve ser o Celeireiro do mosteiroCapítulo 32: Das ferramentas e objetos do mosteiroCapítulo 33: Se os monges devem possuir alguma coisa de próprioCapítulo 34: Se todos devem receber igualmente o necessárioCapítulo 35: Dos semanários da cozinhaCapítulo 36: Dos irmãos enfermosCapítulo 37: Dos velhos e das criançasCapítulo 38: Do leitor semanárioCapítulo 39: Da medida da comidaCapítulo 40: Da medida da bebidaCapítulo 41: A que horas convém fazer as refeiçõesCapítulo 42: Que ninguém fale depois das CompletasCapítulo 43: Dos que chegam tarde ao Ofício Divino ou à mesaCapítulo 44: Como devem fazer satisfação os que tiverem sido excomungadosCapítulo 45: Dos que erram no oratórioCapítulo 46: Daqueles que cometem faltas em quaisquer outras coisasCapítulo 47: Como deve ser dado o sinal para o Ofício DivinoCapítulo 48: Do trabalho manual cotidianoCapítulo 49: Da observância da QuaresmaCapítulo 50: Dos irmãos que trabalham longe do oratório ou estão em viagemCapítulo 51: Dos irmãos que partem para não muito longeCapítulo 52: Do oratório do mosteiroCapítulo 53: Da recepção dos hóspedesCapítulo 54: Se o monge deve receber cartas ou qualquer outra coisaCapítulo 55: Do vestuário e do calçado dos irmãosCapítulo 56: Da mesa do AbadeCapítulo 57: Dos artistas do mosteiroCapítulo 58: Da maneira de proceder à recepção dos irmãosCapítulo 59: Dos filhos dos nobres ou dos pobres que são oferecidosCapítulo 60: Dos sacerdotes que, porventura, quiserem habitar no mosteiroCapítulo 61: Dos monges peregrinos como devem ser recebidosCapítulo 62: Dos sacerdotes do mosteiroCapítulo 63: Da ordem na comunidadeCapítulo 64: Da ordenação do AbadeCapítulo 65: Do Prior do mosteiroCapítulo 66: Dos porteiros do mosteiroCapítulo 67: Dos irmãos mandados em viagemCapítulo 68: Se são ordenadas a um irmão coisas impossíveisCapítulo 69: No mosteiro não presuma um defender o outroCapítulo 70: Não presuma alguém bater em outrem a próprio arbítrioCapítulo 71: Que sejam obedientes uns aos outrosCapítulo 72: Do bom zelo que os monges devem terCapítulo 73: De que nem toda a observância da justiça se acha estabelecida nesta Regra

Perguntas frequentes

Quem escreveu a Regra de São Bento?
São Bento de Núrsia (c. 480–547), monge italiano, fundador do mosteiro de Monte Cassino. Escreveu-a provavelmente entre c. 530 e c. 540, valendo-se de regras e escritos monásticos anteriores.
Quantos capítulos tem a Regra de São Bento?
A Regra tem um Prólogo e 73 capítulos. Os capítulos variam de poucas linhas a várias páginas e tratam desde o abade e a oração coral até o trabalho, a hospitalidade e a vida fraterna.
Onde ler a Regra de São Bento?
O texto integral do Prólogo e dos 73 capítulos está nesta página, na tradução de Dom João Evangelista Enout, OSB, para ler online, e também no app Ora et Labora, que é gratuito. A Regra não é distribuída em arquivo para download.

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