2 apoftegmas
Abade Lote
Um dos anciãos foi ter com o Abade Lote no pequeno pântano de Arsenoíta, e pediu-lhe uma cela, que o Abade Lote lhe deu. Ora o ancião estava doente; o Abade Lote tratou-o; e, quando chegavam alguns em visita ao Abade Lote, fazia-os visitar também o ancião doente. Este, porém, começou a proferir aos visitantes palavras de Origenes (1). O Abade Lote afligia-se com isto, dizendo: “Não vão julgar os Padres que também nós assim pensamos”. Contudo, temia expulsar da cela o doente, por causa do preceito (2). Então, levantando-se, o Abade Lote foi ter com o Abade Arsênio, e referiu-lhe o caso do ancião. Respondeu-lhe o Abade Arsênio: “Não o persigas, mas dize-lhe: “Eis, come e bebe dos dons de Deus como quiseres; apenas não profiras tais palavras. Se ele concordar, corrigir-se-á; se, porém, não se quiser corrigir, por si mesmo pedirá que saia de tal lugar; e destarte a iniciativa não será tua”. O Abade Lote foi-se e fez assim. O Ancião, porém, ao ouvi-lo, não se quis emendar, mas começou a pedir: “Em nome do Senhor, mandai-me embora daqui, pois não posso mais suportar o deserto”. E assim, levantando-se, saiu, despedido com caridade.
A respeito de um irmão que caíra em pecado, alguém contou que foi ter com o Abade Lote; mas estava inquieto, entrando e saindo, se se poder assentar. Perguntou-lhe o Abade Lote: “Que tens, irmão?” Ele respondeu: “Cometi um grande pecado, e não o posso declarar aos Padres”. Disse-lhe o ancião: “Confessa-o a mim, e eu o carregarei”. O irmão confessou: “Caí em fornicação e matei para conseguir o que queria”. Falou o ancião: “Tem ânimo, pois há penitência; vai, senta-te em tua gruta, come de dois em dois dias apenas, e eu carregarei contigo a metade do pecado”. Quando se completaram três semanas, foi revelado ao ancião que Deus aceitara a penitência do irmão. E este ficou sujeito ao ancião até a morte.