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5 apoftegmas

Abade Nisterôo

1

O Abade Nisterôo, o Grande, andava pelo deserto com um irmão. Viram, porém, um dragão, e fugiram. Então perguntou o irmão: “Também tu tens medo, ó Pai?” O ancião respondeu: “Não tenho medo, filho; mas é bom que eu tenha fugido, pois não teria escapado ao espírito de vanglória”.

2

Um irmão perguntou a um ancião: “Que obra é boa, de movo que eu a faça e viva nela?” O ancião respondeu: “Deus sabe o que é bom. Todavia ouvi dizer que um dos Padres perguntou ao Abade Nisterôo, o Grande, o amigo do Abade Antão: “Que obra é boa, de sorte que eu a faça?” Ele respondeu: “Acaso serão todas as obras iguais? (1). A Escritura diz que Abraão era hospitaleiro e que Deus estava com ele; Elias amava o retiro, e Deus estava com ele; Davi era humilde, e Deus estava com ele. Portanto, aquilo para que vires a tua alma propender conforme Deus, faze-o, e guarda teu coração”.

3

O Abade José perguntou ao Abade Nisterôo: “Que fare à minha língua, já que não a posso dominar?” Respondeu o ancião: “Se falas, encontras sossego?” Aquele disse: “Não”. O Abade Nisterôo concluiu: “Se não encontras sossego, porque falas?” Antes, cala-te. E, quando houver uma conversa, ouve muito mais do que falas”.

4

Um irmão viu o Abade Nisterôo carregando duas túnicas, e perguntou-lhe: “S visse um pobre e te pedisse uma veste, qual lhe darias?” Respondeu: “A melhor”. O irmão continuou: “E, se outro te solicitasse, que lhe darias?” Respondeu o ancião: “A metade da outra”. O irmão insistiu: “E, se mais outro te rogasse, que lhe darias?” Falou o Abade: “Cortaria o resto, dar-lhe-ia a metade e com a outra parte eu me cingiria”. O irmão interrogou de novo: “E, se, também essa metade, alguém a pedisse, que farias?” Respondeu o ancião: “Dar-lhe-ia esse resto, e iria sentar-me em dado lugar até que Deus enviasse algo e me recobrisse, pois não peço a nenhum outro”.

5

O Abade Nisterôo disse: “O monge deve, de tarde e de manhã, fazer a seguinte consideração: Das coisas que Deus quer, quais são as que fizemos? E das que não quer, quais as que fizemos? Assim deve o monge examinar toda a sua vida. Desse modo viveu o Abade Arsênio. Esforça-te todos os dias por te apresentar a Deus sem pecado. Ora a Deus como a que está presente; pois, de fato, está presente. Não queiras ser teu próprio legislador; a ninguém julgues. São coisas alheias ao monge jurar, perjurar, mentir, amaldiçoar, injuriar, rir-se. Aquele que é mais honrado e exaltado do que o merece, sofre grande detrimento”.