Antigo Testamento
Profecia de Jeremias
Ver todosAssim fala o Senhor: Eis que levantarei um espírito destruidor contra Babilônia e contra os habitantes da Caldeia.
Vou enviar contra Babilônia padejadores, que a padejarão, que esvaziarão o seu país, porque virão sobre ela de todas as partes, no dia da sua aflição.
Contra ela retese o arqueiro o seu arco, proteja-se com a sua couraça! Não poupeis os seus jovens, exterminai toda a sua gente de guerra.
Cairão mortos na terra dos Caldeus, trespassados nas ruas de Babilônia.
Porque Israel e Judá não são viúvas do seu Deus, o Senhor dos exércitos, e o país dos Caldeus está cheio de delitos contra o Santo de Israel.
Fugi (ó Judeus) do meio de Babilônia, salve cada um a sua vida; não pereçais pela sua iniquidade, porque é o tempo da vingança do Senhor: ele mesmo lhe dará o pago.
Babilônia era na mão do Senhor um copo de ouro que embriagava toda a terra; beberam as nações do seu vinho, e ficaram por isso enlouquecidas.
Babilônia caiu num momento, e ficou arruinada; gemei sobre ela, tomai bálsamo para aplicardes à sua dor, a ver se porventura sara.
Medicámos Babilônia, e ela não sarou; deixemo-la, e vamos cada qual para a sua terra! Com efeito, o seu juízo chegou até aos céus, elevou-se até às nuvens.
O Senhor manifestou a justiça da nossa causa; vinde e contemos em Sião a obra do Senhor nosso Deus.
Aguçai as setas, enchei as aljavas! O Senhor despertou o espírito dos reis dos Medos, pois o seu desígnio é destruir Babilônia. É a vingança do Senhor, vingança do seu templo.
Contra os muros de Babilônia levantai bandeiras, multiplicai sentinelas; colocai guardas, armai emboscadas, porque o Senhor decretou e vai executar tudo quanto disse contra os moradores de Babilônia.
Tu, que habitas à beira das grandes águas, que abundas em tesouros, está chegado o teu fim, o termo das tuas rapinas.
O Senhor dos exércitos jurou por si próprio (dizendo): Eu te encherei de homens como de gafanhotos, que soltarão sobre ti o grito de guerra.
Foi ele que fez a terra com o seu poder, estabeleceu o mundo com a sua sabedoria e estendeu os céus com a sua inteligência.
A uma voz sua, amontoam-se as águas no céu; levanta as nuvens da extremidade da terra, forma relâmpagos para se produzir o aguaceiro e tira o vento dos seus tesouros.
Todo o homem então se tem por néscio, por ignorante, todo o fundidor se envergonha dos seus ídolos, porque é coisa enganosa a sua obra, não tem vida.
Vãs são essas obras, dignas de riso; elas perecerão no tempo do castigo.
Não é assim a porção de Jacob, porque ele é que fez tudo, e Israel é a tribo da sua herança: Senhor dos exércitos é o seu nome.
Tu serves-me de martelo, de instrumento de guerra; por meio de ti arruino nações, por ti destruo reinos;
esmago por meio de ti o cavalo e o cavaleiro; esmago por meio de ti o carro e o que vai nele;
esmago por meio de ti o homem e a mulher; esmago por meio de ti o velho e o jovem; esmago por meio de ti o mancebo e a virgem;
esmago por melo de ti o pastor e o rebanho; esmago por meio de ti o lavrador e as suas juntas; esmago por meio de ti os capitães e os magistrados.
Depois pagarei a Babilônia e a todos os habitantes da Caldeia todo o mal que fizeram em Sião, ante os vossos olhos, diz o Senhor.
Eis-me aqui contra ti, diz o Senhor, ó (Babilônia) montanha de devastação, devastadora de toda a terra; estenderei a minha mão sobre ti, arrancar-te-ei do alto das rochas e te transformarei numa montanha abrasada.
E de ti não mais tomarão pedra angular, nem pedra para fundamentos, mas ficarás uma ruína para sempre, diz o Senhor.
Levantai o estandarte na terra; tocai a trombeta entre as nações; convocai contra ela as nações, convocai os reinos de Ararat, de Minni e Ascenez; alistai contra ela escribas de recrutamento, lançai cavalos como gafanhotos eriçados.
Preparai contra ela as nações, o rei da Média, os seus governadores e chefes, e toda a terra dos seus domínios.
E comover-se-á a terra e se turbará, porque se realizará contra Babilônia o plano do Senhor de deixar deserta e sem habitante a terra de Babilônia.
Cessaram de pelejar os fortes de Babilônia, alojaram-se nas cidadelas; consumida foi a sua força, tornaram-se como mulheres. Foram incendiadas as suas habitações, quebrados os seus ferrolhos.
Os correios avançam, uns atrás dos outros, correm mensageiros após mensageiros, para anunciar ao rei de Babilônia que a sua cidade está tomada desde uma extremidade à outra,
que os vaus estão tomados, os baluartes a arder, e que os homens de guerra estão amedrontados.
Porque assim fala o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel; A filha de Babilônia é como uma eira, no tempo em que é calcada; ainda um pouco, e virá o tempo da ceifa.
Nabucodonosor, rei de Babilônia, tragou-me. devorou-me; deixou-me como um vaso desejado, engoliu-me como um dragão, encheu o seu ventre de tudo o que eu tinha de mais delicioso, e deitou-me fora.
Que a minha despedaçada carne seja contra a Babilônia, diz o povo de Sião; que o meu sangue seja contra os moradores da Caldeia, diz Jerusalém.
Portanto isto diz o Senhor: Vou tomar a meu cuidado a tua causa, vingar-te-ei, deixarei sem água o seu mar e secarei os seus mananciais.
Babilônia será reduzida a um montão de escombros, virá a ser a habitação de chacais, objecto de espanto e de escárnio, sem ter quem a habite.
(Os Caldeus) rugirão como leões, bramirão como cachorros de leões.
No seu calor lhes darei de beber, embriagá-los-ei, para que adormeçam e durmam um sono sem fim, e não se levantem, diz o Senhor.
Conduzi-los-ei como cordeiros, que vão a degolar, como carneiros e bodes.
Como foi tomada, vencida a (cidade mais) ilustre de toda a terra? Como é que Babilônia se tornou um objecto de espanto entre as nações?
Um mar (de inimigos) subiu sobre Babilônia, que foi coberta pela multidão das suas ondas.
As suas cidades tornaram-se um objecto de espanto, terra árida e deserta, terra em que ninguém habita, por onde não passa nenhum filho de homem.
Castigarei Bel em Babilônia, far-lhe-ei lançar da sua boca o que tinha absorvido. Não mais concorrerão a ele as nações. Até o muro de Babilônia foi a terra!
Sai do meio dela, povo meu. Salve cada um a sua vida do ardente furor do Senhor.
Não desfaleça o vosso coração; não temais os rumores que se hão-de espalhar na terra; virá num ano um boato, e depois deste ano outro boato: Violência na terra, tirano contra tirano!
Por cuja causa eis que chegam os dias, em que visitarei (com a destruição) os ídolos de Babilônia; todo o seu país será confundido todos os seus mortos cairão no meio dela.
Então, os céus e a terra e todas as coisas que neles há, alegrar-se-ão pelo acontecido a Babilônia, porque do norte lhe virão os devastadores, diz o Senhor.
Cairá Babilônia pelos mortos de Israel, como caíram por Babilônia mortos de toda a terra.
Vós, que fugistes da espada, parti, não fiqueis parados; de longe lembrai-vos do Senhor, suba (a lembrança, de) Jerusalém ao vosso coração.
Estávamos confundidos (ó Senhor), ouvindo a afronta; cobriam-se de vergonha os nossos rostos, porque tinham vindo estranhos contra o santuário da casa do Senhor.
Por cuja causa eis que vêm dias, diz o Senhor, em que destruirei os seus ídolos, em que os feridos de morte gemerão em todo o seu território.
Ainda que Babilônia suba até ao céu e consolide a sua inacessível fortaleza, eu lhe enviarei destruidores, diz o Senhor.
Um ruído de gritos vem de Babilônia: grande ruína na terra dos Caldeus!
É o Senhor que assola Babilônia e faz cessar o seu grande ruído. Soam as suas ondas com o estrondo de muitas águas; a sua voz ressoa tumultuosamente,
porque o exterminador veio sobre Babilônia, e foram presos os seus valentes, e partidos os seus arcos. Sim, o Senhor, que é o Deus das retribuições lhes dará a paga merecida.
Embriagarei (com o cálice da minha ira) os seus príncipes e os seus sábios, os seus capitães, os seus magistrados e os seus guerreiros, e eles dormirão um sono eterno, não despertarão jamais, diz o rei, cujo nome é Iavé dos exércitos.
Assim fala o Senhor dos exércitos: Aquele muro larguíssimo de Babilônia será arruinado de alto a baixo; as suas portas excelsas serão abrasadas pelo fogo. Assim os povos trabalham para o nada, as nações esgotam-se para o fogo.
Ordem dada pelo profeta Jeremias a Saraias, filho de Nérias, filho de Maasias, quando ia com o rei Sedecias para Babilônia, no quarto ano do seu reinado. Saraias era camareiro-mor.
Jeremias escreveu num livro todo o mal que estava para vir sobre Babilônia, todas estas palavras que foram escritas contra Babilônia.
Jeremias disse a Saraias: Quando chegares a Babilônia, cuidarás de ler todas estas palavras
e dirás: Senhor, tu disseste que se destruiria este lugar, de modo que não houvesse quem nele habitasse, desde o homem ao animal, e que ficasse sendo uma perpétua solidão.
Quando acabares de ler este livro, atar-lhe-ás uma pedra, lançá-lo-ás no meio do Eufrates
e dirás: Assim será submersa Babilônia; não se levantará mais da calamidade que vou descarregar sobre ela. Até aqui as palavras de Jeremias.