Capítulo 3
As Igrejas Particulares
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O Espírito Santo, que chama todos os homens a Cristo pelas sementes do Verbo e pela pregação do Evangelho, e suscita nos corações a obediência da fé, quando no seio da fonte baptismal gera para uma vida nova os que crêem em Cristo, congrega-os no único Povo de Deus, que é «raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped 2, 9). Por isso, os missionários, cooperadores de Deus (cfr. 1 Cor 3, 9), devem suscitar comunidades de fiéis que, vivendo de modo digno da vocação a que foram chamados (cfr. Ef 4, 1), exerçam as funções sacerdotal, profética e real que Deus lhes confiou. Desta maneira, a comunidade cristã torna-se sinal da presença de Deus no mundo. Pela oblação eucarística, ela passa continuamente com Cristo para o Pai; alimentada com diligência pela Palavra de Deus, dá testemunho de Cristo; caminha na caridade e arde em espírito apostólico.
A comunidade cristã deve constituir-se, desde o início, de tal modo que possa, quanto possível, prover às suas necessidades. Esta congregação dos fiéis, já dotada das riquezas da cultura da própria nação, deve estar profundamente enraizada no povo; floresçam famílias penetradas do espírito evangélico, apoiadas em escolas adequadas; constituam-se associações e grupos, mediante os quais o apostolado dos leigos possa permear de espírito evangélico toda a sociedade. Brilhe, enfim, a caridade entre católicos de diversos ritos. Deve fomentar-se também o espírito ecuménico entre os neófitos, para que reconheçam devidamente que os irmãos que crêem em Cristo são discípulos de Cristo, regenerados pelo baptismo, e participantes de muitos bens do Povo de Deus. Na medida em que as condições religiosas o permitirem, a acção ecuménica deve ser promovida de modo que os católicos, excluída qualquer forma de indiferentismo ou de confusionismo, mas igualmente de insensata rivalidade, cooperem com os irmãos separados, segundo as normas do decreto sobre o ecumenismo.
É de desejar e muito de recomendar que os Bispos e as conferências episcopais tratem dos assuntos da missão entre os povos em espírito de fraternidade e de unanimidade. A actividade missionária exige que sejam formados obreiros aptos e devidamente preparados. Quer os nativos quer os que vêm de fora devem receber uma formação pastoral, científica e pedagógica adequada. Devem ser fundados institutos científicos que estudem e promovam a missionologia, a etnologia e a linguística, a história e a ciência das religiões, a sociologia e as técnicas pastorais, bem como a arte de comunicar. Toda esta formação deve ser impregnada de espírito verdadeiramente católico e ecuménico, para que os candidatos considerem a missão da Igreja em toda a sua amplitude e a diversidade dos povos, e conheçam as necessidades do mundo.
A graça do Espírito Santo e a caridade apostólica devem ser o impulso fundamental de toda a actividade missionária. Os fiéis todos devem ter consciência de que a sua primeira e mais importante obrigação para a difusão da fé é viver profundamente a vida cristã. O seu fervor no serviço de Deus e o seu amor ao próximo trarão um novo sopro espiritual à Igreja toda, que aparecerá como um estandarte erguido diante das nações (cfr. Is 11, 12), «luz do mundo» (Mt 5, 14) e «sal da terra» (Mt 5, 13). Este testemunho de vida alcançará mais facilmente o seu efeito se for dado conjuntamente com os outros grupos cristãos, segundo as normas do decreto sobre o ecumenismo. Deste espírito comum, os homens perceberão que todos os que foram baptizados e crêem em Cristo formam um só corpo e cooperam na pregação do Evangelho. Por isso, todos os filhos da Igreja devem ter uma viva consciência da responsabilidade que lhes compete em relação ao mundo, devem alimentar em si um espírito verdadeiramente católico e consagrar as suas forças à obra da evangelização.
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