Capítulo 3
O Anúncio do Evangelho
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Todo o Povo de Deus anuncia o Evangelho. A evangelização é tarefa da Igreja. Mas este sujeito da evangelização é mais do que uma instituição orgânica e hierárquica, porque é antes de tudo um povo que peregrina para Deus. Trata-se certamente de um mistério que mergulha as suas raízes na Trindade, mas tem a sua concretização histórica num povo peregrino e evangelizador, o que sempre transcende toda a necessária expressão institucional. Cada batizado, independentemente da sua função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização, e seria inadequado pensar num esquema de evangelização levado a cabo por atores qualificados em que o resto do povo fiel fosse apenas recetivo das suas ações.
A homilia é a pedra de toque para avaliar a proximidade e a capacidade de encontro de um pastor com o seu povo. De facto, sabemos que os fiéis lhe dão muita importância; e eles, como os próprios ministros ordenados, sofrem muitas vezes: uns a ouvir e outros a pregar. É triste que assim seja. A homilia pode ser realmente uma experiência intensa e feliz do Espírito, um consolador encontro com a Palavra, uma fonte constante de renovação e crescimento. O pregador deve conhecer o coração da sua comunidade para descobrir onde está vivo e ardente o desejo de Deus, e também onde é que esse diálogo, que deveria ser amoroso, foi sufocado ou não pôde dar fruto.
A preparação da pregação é uma tarefa tão importante que convém dedicar-lhe um tempo prolongado de estudo, oração, reflexão e criatividade pastoral. Um pregador que não se prepara não é «espiritual», é desonesto e irresponsável com os dons que recebeu. A pregação litúrgica exige que o pregador entre em diálogo com a Palavra de Deus, que a medite e a deixe ressoar no seu coração antes de a proclamar. A relação entre a Palavra de Deus e a vida concreta das pessoas é o eixo central de toda a boa pregação. O pregador deve ser ponte entre o texto sagrado e a vida quotidiana da comunidade, fazendo com que a Palavra ilumine as alegrias, os sofrimentos, as esperanças e as angústias do povo.
O acompanhamento pessoal dos processos de crescimento é uma dimensão essencial da evangelização. A Igreja deverá iniciar os seus membros — sacerdotes, religiosos e leigos — nesta «arte do acompanhamento», para que todos aprendam sempre a tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro (cf. Ex 3, 5). Devemos dar ao nosso caminho o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão mas que ao mesmo tempo cure, liberte e encoraje a amadurecer na vida cristã. O acompanhamento espiritual não é técnica terapêutica nem mero aconselhamento, mas verdadeiro encontro de fé em que o outro é ajudado a discernir a vontade de Deus para a sua vida.
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