Capítulo 4
Uma Ecologia Integral
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Dado que tudo está intimamente relacionado e que os problemas atuais requerem um olhar que tenha em conta todos os aspetos da crise mundial, proponho que nos detenhamos agora a refletir sobre os diferentes elementos duma ecologia integral, que inclua claramente as dimensões humanas e sociais. A ecologia estuda as relações entre os organismos vivos e o meio ambiente onde se desenvolvem. Sendo a vida humana mesma um dom recebido, ela exige uma realidade natural que a preceda e sustente. Toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas de poder que hoje regem as sociedades.
A ecologia integral é inseparável da noção de bem comum, princípio que desempenha um papel central e unificador na ética social. É o «conjunto daquelas condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição». O bem comum pressupõe o respeito pela pessoa humana enquanto tal, com direitos fundamentais e inalienáveis orientados para o seu desenvolvimento integral. Exige também o bem-estar social e o desenvolvimento dos vários grupos intermédios, aplicando o princípio da subsidiariedade. Entre eles, destaca-se especialmente a família como célula basilar da sociedade.
Nas condições atuais da sociedade mundial, onde há tantas inequidades e são cada vez mais as pessoas descartáveis, privadas dos direitos humanos fundamentais, o princípio do bem comum torna-se imediatamente, como consequência lógica e inevitável, um apelo à solidariedade e uma opção preferencial pelos mais pobres. Esta opção implica tirar as consequências do destino comum dos bens da terra, mas exige contemplar, antes de tudo, a imensa dignidade do pobre à luz das mais profundas convicções de fé. Basta olhar a realidade para compreender que hoje esta opção é uma exigência ética fundamental para a efetiva realização do bem comum.
A ecologia integral requer também uma ecologia cultural. Juntamente com o patrimônio natural, há um patrimônio histórico, artístico e cultural, igualmente ameaçado. Faz parte da identidade comum de um lugar e serve de base para construir uma cidade habitável. Não se trata de destruir e criar novas cidades supostamente mais ecológicas, onde nem sempre se torna desejável viver. É preciso integrar a história, a cultura e a arquitetura de um determinado lugar, salvaguardando a sua identidade original. A imposição de um estilo de vida ligado a um único modelo de produção pode ser tão nociva como a alteração dos ecossistemas naturais.
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