Capítulo 2
A Religião Judaica
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Ao investigar o mistério da Igreja, o sagrado Concílio lembra o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à estirpe de Abraão. A Igreja de Cristo, com efeito, reconhece que os primórdios da sua fé e da sua eleição se encontram já, segundo o mistério divino da salvação, nos Patriarcas, em Moisés e nos Profetas. Confessa que todos os fiéis de Cristo, filhos de Abraão segundo a fé, estão incluídos na vocação do mesmo Patriarca e que a salvação da Igreja está misteriosamente prefigurada no êxodo do povo eleito da terra da escravidão. Por isso, a Igreja não pode esquecer que recebeu a revelação do Antigo Testamento por meio daquele povo com quem Deus, na sua inefável misericórdia, se dignou estabelecer a Antiga Aliança, e que se nutre da raiz da boa oliveira em que foram enxertados os ramos da oliveira brava que são os gentios. Com efeito, a Igreja crê que Cristo, nossa Paz, reconciliou pela cruz judeus e gentios e de ambos fez um só em Si mesmo. A Igreja tem também sempre diante dos olhos as palavras do apóstolo Paulo a respeito dos seus irmãos de sangue: «deles é a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas; deles são os Patriarcas e deles procede Cristo segundo a carne» (Rom 9, 4-5), filho da Virgem Maria. Recorda também que do povo judaico nasceram os Apóstolos, fundamentos e colunas da Igreja, assim como muitíssimos daqueles primeiros discípulos que anunciaram ao mundo o Evangelho de Cristo.
Dado que é tão grande o património espiritual comum a cristãos e judeus, o sagrado Concílio quer fomentar e recomendar o mútuo conhecimento e estima, que se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e dos diálogos fraternos. Embora as autoridades judaicas, com os seus seguidores, tenham reclamado a morte de Cristo, todavia o que na Sua Paixão se perpetrou não pode indistintamente ser imputado nem a todos os judeus que então viviam nem aos judeus do nosso tempo. E se é verdade que a Igreja é o novo Povo de Deus, nem por isso os judeus devem ser apresentados como réprobos por Deus ou malditos, como se isso decorresse da Sagrada Escritura. Procurem, portanto, todos evitar que, na catequese ou na pregação da Palavra de Deus, se ensine alguma coisa que não esteja de acordo com a verdade do Evangelho e com o espírito de Cristo. Além disso, a Igreja, que reprova todas as perseguições contra quaisquer homens, lembrada do comum património com os judeus e movida não por razões políticas, mas pela religiosa caridade evangélica, deplora os ódios, as perseguições e todas as manifestações de anti-semitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus.
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