Proêmio
Herança
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O Redentor do homem, Jesus Cristo, é o centro do cosmos e da história. A Ele se dirigem o meu pensamento e o meu coração nesta hora solene que a Igreja e toda a família da humanidade contemporânea estão a viver. Com efeito, não cessa de estar presente no meu espírito o tempo que teve o seu início com o dia em que, após a morte de João Paulo I, se deu no Conclave romano a escolha do dia 16 de Outubro de 1978: desde aquele dia venho repetindo continuamente as palavras que então pronunciei, abrindo o meu ministério petrino: «Não tenhais medo! Abri, abri de par em par as portas a Cristo!» Estas palavras são o eco fiel da voz do Senhor, que ressoa nos corações de todos os que foram chamados a segui-Lo.
Este primeiro documento pontifício brota daquela mesma fé e daquela mesma tradição que o Concílio Vaticano II exprimiu e formulou de modo tão fecundo. Por isso, quero referir-me antes de tudo a este acontecimento eclesial, o mais importante do nosso século. O Concílio Vaticano II foi um acontecimento providencial, pelo qual a Igreja deu início à preparação imediata para o Jubileu do segundo milénio do nascimento de Jesus Cristo. O Concílio, ao aprofundar o mistério da Igreja, abriu novos caminhos para o diálogo com o mundo contemporâneo, com as outras confissões cristãs e com as outras religiões. Tudo o que o Concílio ensinou continua a ser a bússola segura para a Igreja no seu caminho rumo ao futuro.
Neste tempo que nos é dado viver, a Igreja não pode esquecer a herança que recebeu dos seus predecessores mais recentes. O pontificado de Paulo VI, com a sua extraordinária riqueza de ensinamentos, marcou profundamente a vida da Igreja: a encíclica Ecclesiam Suam, sobre o diálogo; a Populorum Progressio, sobre o desenvolvimento dos povos; a Humanae Vitae, sobre a transmissão responsável da vida. Todos estes documentos constituem uma herança preciosa que não pode ser perdida. Do mesmo modo, o breve mas intensíssimo pontificado de João Paulo I deixou-nos o testemunho de uma fé simples e profunda, de uma alegria evangélica capaz de tocar os corações. Recolhendo esta herança, o novo pontificado nasce sob o signo da continuidade e da fidelidade ao Concílio.
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