Proêmio
Introdução
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«Spe salvi facti sumus» — na esperança fomos salvos, diz São Paulo aos Romanos e também a nós (Rm 8, 24). A «redenção», a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido de que nos foi dada a esperança, uma esperança fiável, graças à qual podemos enfrentar o nosso presente: o presente, ainda que penoso, pode ser vivido e aceite se conduzir a uma meta e se dessa meta pudermos estar seguros, se essa meta for tão grande que justifique o esforço do caminho. Imediatamente se levanta então a questão: mas de que género é esta esperança para poder justificar a afirmação de que a partir dela, e simplesmente porque ela existe, nós somos redimidos?
Antes de nos dedicarmos a estas questões, que ficam em suspenso, devemos escutar um pouco mais atentamente o testemunho da Bíblia sobre a esperança. Com efeito, «esperança» é uma palavra central da fé bíblica, a tal ponto que, em diversas passagens, as palavras «fé» e «esperança» parecem intercambiáveis. Assim, a Carta aos Hebreus liga estreitamente a «plenitude da fé» (10, 22) à «profissão inabalável da esperança» (10, 23). Também quando a Primeira Carta de São Pedro exorta os cristãos a estarem sempre prontos para dar uma resposta sobre o logos — o sentido e a razão — da sua esperança (cf. 3, 15), «esperança» equivale a «fé».
Uma característica essencial da fé cristã é que ela não oferece apenas uma paz interior ou uma consolação espiritual, mas abre o horizonte de uma esperança que se estende para além da morte. O cristão espera não apenas uma vida melhor neste mundo, mas a vida eterna, a comunhão plena com Deus. Esta esperança não é uma fuga do mundo, mas antes uma força que transforma o presente. Quem tem esperança vive de forma diferente; foi-lhe dada uma vida nova. A esperança cristã é, antes de mais, esperança para os outros e com os outros, e só assim é verdadeiramente esperança também para mim.
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