22 de fevereiro de 2026 · Equipe Ora et Labora
A Quaresma começa no deserto. O evangelho de hoje (Mt 4,1-11) nos leva ao lugar onde Jesus passou quarenta dias em jejum e oração, antes de iniciar sua vida pública. O deserto é o lugar da prova, mas também da intimidade. Sem distrações, sem plateia, sem fuga — só você e Deus.
Os Padres do Deserto — cujos ditos preservamos nos Apoftegmas — escolheram viver permanentemente nesse lugar de verdade. Não por masoquismo, mas por clareza. Abba Antão dizia: "Aquele que se senta na solidão e no silêncio escapa de três guerras: a do ouvir, a do falar e a do ver. Ele só terá que combater uma: a do coração."
A guerra do coração é a única que importa. As tentações de Jesus no deserto não são sobre pão, poder e espetáculo — são sobre identidade. "Se tu és o Filho de Deus..." O diabo não questiona o que Jesus pode fazer, mas quem Ele é. A tentação mais profunda não é fazer o mal — é esquecer quem somos.
São Bento sabia disso. Por isso, no capítulo 49 da Regra, ele pede que a Quaresma seja vivida com "alegria do desejo espiritual" (RB 49,6). Não como penitência amarga, mas como preparação amorosa. O deserto quaresmal não é castigo — é limpeza do terreno para que o jardim da Páscoa possa florescer.
O que você precisa desocupar nesta Quaresma para dar espaço ao essencial? Que deserto Deus está lhe oferecendo — não como provação, mas como presente?