2 apoftegmas
Abade Anube
O Abade João contou que o Abade Anube, o Abade Poimém e os outros irmãos de ambos, filhos de mesma mãe, se fizeram monges na Cétia; quano, porém, os Maziques invadiram e devastaram esta região pela primeira vez, abandonaram-na e foram para o lugar chamado Terenitis, em que morariam até terem deliberado onde deveriam permanecer. Lá se estabeleceram dentro de um antigo templo por poucos dias. Disse então o Abade Anube ao Abade Poimém: “Faze esta caridade; tu e teus irmãos, habitai cada qual separadamente, e não nos encontremos esta semana”. Respondeu o Abade Poimém: “Faze esta caridade; tu e teus irmãos, habitai cada qual separadamente, e não nos encontremos esta semana”. Assim fizeram. Ora, havia no templo uma estátua de pedra; o Abade Anube levantava-se de manhã cedo e apedrejava a face da estátua; de tarde, porém, dizia-lhe: “Perdoa-me”. E passou a semana inteira fazendo isto. Eis que no sábado os irmãos se reuniram, e o Abade Poimém disse ao Abade Anube: “Esta semana, ó Abade, vi-te apedrejar a face da estátua e sucessivamente fazer-lhe um desagravo; é assim que procede um homem que tem fé?” Respondeu o ancião: “Isto mesmo, eu o fiz por causa de vós. Quando me vistes apedrejar a face da estátua, terá ela falado ou bravejado?! Respondeu o Abade Poimém: “Não”. E, de novo, quando lhe prestei desagravo, ter-se-á agitado, dizeno “Não perdoo?” Respondeu o Abade Poimém: “Não”, Continuou então Anube: “Eis que somos sete irmãos; se quereis que permaneçamos juntos, tornemo-nos como esta estátua, a qual, quer seja injuriada, quer honrada, não se perturba. Se, porém, não vos quereis tornar tais, eis que há quatro portas no templo. Cada qual vá para onde quiser”. Atiraram-se por terra então, dizendo ao Abade Anube: “Faremos como queres, ó Pai, e obedeceremos ao que nos disseres”. Acrescentou o Abade Poimém: “Permanecemos juntos todo o tempo de nossa vida, trabalhando conforme a palvra que o ancião nos dissera; ele estabeleceu um de nós ecônomo; comíamos tudo que ele nos apresentava, e era impossível quem um de nós dissesse: “Traze-nos outra coisa” ou “Não queremos comer isso”. E em repouso a paz passamos toda a nossa vida.”
Disse o Abade Anube: “Desde que o nome de Cristo foi invocado sobre mim, não saiu mentira de minha boca”.