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5 apoftegmas

Arcebispo Teófilo

1

O bem-aventurado Arcebispo Teófilo subiu certa vez ao monte da Nítria. Foi-lhe ao encontro o Abade da montanha, ao qual o Arcebispo perguntou: “Que encontraste de mais nesta estrada, ó Pai?” Respondeu o ancião: “O acusar e repreender a si mesmo em todo tempo”. Disse então o Abade Teófilo: “Outra via não há senão essa”.

2

O mesmo Abade Teófilo arcebispo foi certa vez à Cétia. Os irmãos reunidos pediram ao Abade Pambo: “Dize uma palavra ao Pai, para que seja edificado”. Respondeu-lhes o ancião: “Se ele não se edifica com o meu silêncio, também com a minha palavra não se edificará”.

3

De uma feita os Padres foram a Alexandria, chamados pelo Arcebispo Teófilo, pois este queria fazer oração e destruir os templos pagãos. Quando estavam a comer com o Arcebispo, foi servida carne de vitela, da qual eles iam comendo sem distinguir os alimentos. Então o Arcebispo tomou um pedaço de carne e o deu ao ancião seu vizinho, dizendo: “Eis, este pedaço é bom; come-o, Abade”. Replicaram todos: “Nós até agora comemos legumes; se isso é carne, não comeremos”. E nenhum deles continuou a comer do que lhes fora servido.

4

O mesmo Abade Teófilo dizia: “Que medo, que tremor, que angústia não veremos quando a alma sair do corpo! Com efeito, então virão contra nós o exército e o poderia dos espíritos adversos, os príncipes das trevas, os malvados senhores deste mundo, os principados e as potestades, os espíritos de perversão, e, como que num processo judiciário, deterão a alma e trarão à sua presença todos os pecados que ela tiver cometido, com conhecimento ou em ignorância, desde a juventude até a idade de morrer. Apresentar-se-ão, portanto, acusado tudo que ela tiver feito. De resto, que tremor não julgas experimentará a alma naquela hora, até que a sentença seja proferida e ela consiga libertar-se? Essa será a hora da angústia da alma, a qual durará até que veja qual a sorte que lhe deve tocar. Mas, de outro lado, também os exércitos de Deus estarão presentes, diante dos adversários e apresentarão as boas obras da alma. Pensa, portanto, de que medo e tremor a alma se achará em tal meio, até que o seu julgamento termine pela sentença do justo Juiz. Se ela for digna, os espíritos adversos serão repreendidos e ela arrebatada do seu poder; para o futuro estará, ou melhor, habitará, sem solicitude, conforme está escrito: ‘Em ti se acha a habitação como que de todos os que se alegram’ (1). Então se cumprirá o que está dito: ‘Fugiu a dor, a tristeza, o gemido’ (2). Então, libertada, a alma passará para aquela inefável alegria e glória, em que será constituída. Se, porém, se depreender que a alma viveu negligentemente, ouvirá as palavras tremendas: ‘Seja removido o ímpio, para que não veja a glória do Senhor (3). Então apreendê-lo-à o dia da ira, o dia da tribulação, o dia das trevas e da escuridão. Entregue às trevas exteriores e condenada ao fogo eterno, será punida pelos séculos sem fim. Onde ficará então a fama adquirida no mundo? Onde, a vanglória? Onde, as comodidades? Onde, os gozos? Onde, os espetáculos impressionantes? Onde, o repouso? Onde, a jactância? Onde, o dinheiro? Onde, a nobreza? Onde, o pai? Onde, a mãe? Onde, o irmão? Quem destes poderá arrebatar a alma incandescente no fogo e detida em acerbos tormentos? Ora, se tais são as coisas, quais não nos devemos tornar por uma vida santa e pela piedade? Que caridade não devemos possuir? Que conduta? Que costumes? Que procedimento? Que diligência? Que oração? Que firmeza? Com efeito, está escrito: ‘Esperando essas coisas, procuremos ser por Ele encontrados em paz, puros e irrepreensíveis’ (4), para que sejamos dignos de O ouvir dizer: ‘Vinde, benditos de meu Pai, possui em herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo’ (5), pelos séculos dos séculos. Assim seja”.

5

O mesmo Abade Teófilo Arcebispo, estando para morrer, disse: “Bem-aventurado és, Abade Arsênio, porque estavas sempre recordado desta hora”.