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7 apoftegmas

Madre Teodora

1

Perguntou a Madre Teodora ao Arcebispo Teófilo o que significa a palavra do Apóstolo: “Resgatando o tempo” (1). Este respondeu-lhe: “O Apóstolo indica o que se lucra. Assim: vives um tempo de injúrias? Resgata esse tempo de injúrias com a humildade e a paciência, e tira daí um lucro para ti. Vives um tempo de infâmia? Com a resignação resgata esse tempo e lucra-o. E assim tudo o que nos é adverso, se o queremos, se torna para nós um lucro”.

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Disse a Madre Teodora: “Lutai para entrar pela porta estreita. Pois, da mesma forma que as árvores, se não sofrem tempestades e chuvas, não podem dar fruto, assim também para nós o século presente significa o inverno, e, a não ser por muitas tribulações e tentações, não nos podemos tornar herdeiros do reino dos céus”.

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Disse também: “É bom levar vida retirada; com efeito, o homem sensato se entrega ao retiro. Grande coisa é, sem dúvida, a vida retirada para a virgem e para o monge, principalmente para os jovens. Sabe, porém, que logo que alguém se propõe viver em retiro, o maligno se aproxima e torna pesada a alma, pela acédia, pela pusilanimidade, pelos pensamentos; torna pesado também o corpo pelas doenças, pelo langor, pela fraqueza dos joelhos e de todos os membros; assim extingue a energia da alma e do corpo, de modo que o homem diz: ‘Estou doente e não tenho a força de rezar o Ofício’. Se, porém, formos vigilantes, todas estas maquinações serão frustradas. Com efeito, havia um monge que, quando se dispunha a rezar o Ofício, era atacado de frio, febre e intensa dor de cabeça; dizia então consigo mesmo: ‘Eis que estou doente, e em breve morrerei; por conseguinte, quero levantar-me antes de morrer e rezar o Ofício”. Com este pensamento azia violência a si mesmo, e recitava as preces. Ora acontecia que, quando terminava o Ofício, cessava também a febre. Assim repetidamente o irmão resistia à sugestão má, recitava o Ofício e vencia a tentação”.

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Dizia também a mesma Madre Teodora: “Certa vez um homem religioso foi injuriado por alguém, a quem assim falou: ‘Poderia também eu dizer-te coisas semelhantes; mas a lei de Deus fecha-me a boca’. Dizia ainda o seguinte: “Um cristão, disputando com um Maniqueu a respeito do corpo, assim arguiu: ‘Dá uma lei ao corpo e verás que o corpo pertence ao Criador’”(1).

5

Dizia de novo: “O mestre deve ser alheio à ambição de comandar, estranho à vanglória, longe da soberba, não se deixando iludir pela adulação, nem cegar pelas dádivas, nem vencer pelo ventre, nem dominar pela ira; mas seja paciente, manso, humilde em toda a medida do possível, seja probo e tolerante, cheio de solicitude e de amor às almas”.

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Dizia igualmente: “Não é a ascese, não são as vigílias nem as fadigas de qualquer espécie que salvam, e, sim a genuína humildade. Com efeito, havia um eremita que expulsava demônios, aos quais perguntou certa vez: ‘Como haveis de sair? Pelo jejum?’ Eles responderam: ‘Nós nem comemos nem bebemos’. – ‘Pelas vigílias?’ – Nós não dormimos’. – ‘Pela vida retirada na solidão?’ – ‘Nós vivemos nos desertos’. – ‘Então como sais?’ Responderam: ‘Nada nos vence senão a humildade’. Vês assim que a humildade é a arma de vitória contra os demônios”.

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Referiu mais a Madre Teodora: “Havia um monge que, em virtude das muitas tentações que padecia, disse: ‘Vou-me embora daqui’. E, quando calçava as suas sandálias, viu outro homem que calçava, também ele, as sandálias, o qual lhe disse: ‘Não é por causa de mim que partes? Eis que eu te antecederei para onde quer que vás’”.