Primeira leitura
Leitura do Livro de Rute 2, 1—4, 17
1Elimelec, marido (de Noemi), tinha um parente, homem poderoso e de grandes riquezas, chamado Booz. 2Rute Moabita disse a sua sogra: Se o mandas, irei ao campo apanhai; as espigas que escapam das mãos dos segadores, onde quer que me acolham favoràvelmente. Ela respondeu-lhe: Vai, minha filha. 3Foi Rute pois, e apanhava as espigas por detrás dos segadores. Ora aconteceu que aquele campo tinha por dono um homem chamado Booz, que era da família de Elimelec. 4E eis que ele chegou de Belém, e disse aos segadores: O Senhor seja convosco. Eles responderam-lhe: O Senhor te abençoe. 5Booz disse para o jovem que tomava sentido nos segadores: De quem é esta moça? 6Ele respondeu-lhe: Esta é a Moabita, que veio com Noemi do país do Moab. 7Pediu-me que a deixasse apanhar as espigas que ficassem, indo atrás dos segadores; anda no campo desde manhã até agora, e não voltou a casa nem por um momento. 8Booz disse a Rute: Ouve, filha, não vás respigar a outro campo, não te apartes deste lugar, mas junta-te com as minhas moças; 9e segue-as por onde tiverem segado. Eu ordenei aos meus criados que nenhum te moleste; também, se tiveres sêde, vai às bilhas e bebe da água de que bebem os meus criados. 10Ela, inclinando o seu rosto e prostrando-se até à terra, disse-lhe: Donde me vem a dita de ter achado graça diante dos teus olhos, e de que te dignasses fazer caso de mim (que sou) uma mulher estrangeira? 11Ele respondeu-lhe: Foi-me contado tudo o que tens feito à tua sogra depois da morte de teu marido, e como deixaste os teus parentes, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que antes não conhecias. 12O Senhor te remunere pelas tuas obras, e recebas uma plena recompensa do Senhor Deus de Israel, para quem vieste, e sob cujas asas te acolheste. 13Ela disse: Encontrei graça diante dos teus olhos, ó meu senhor, que me consolaste e falaste ao coração da tua escrava, ainda que eu não seja nem como uma das tuas escravas. 14Booz disse-lhe: Quando chegar a hora (de comer), vem aqui, come pão, e molha o teu bocado no vinagre. Ela sentou-se ao lado dos segadores, e (Booz) deu-lhe grão torrado; ela comeu até ficar satisfeita e guardou os sobejos. 15Depois levantou-se para colher as espigas segundo o costume. Booz deu esta ordem aos seus servos; Ainda que ela queira segar convosco, não lho embaraceis, 16e de propósito deixai cair algumas espigas das vossas gavelas, deixai que fiquem ali, para que ela as apanhe sem vergonha, e nenhum a repreenda enquanto as apanha. 17Ela pois respigou no campo até à tarde, e, tendo batido com uma vara e sacudido as espigas que tinha colhido, encontrou quase a medida de um efi de cevada, isto é, três alqueires. 18Carregando com eles, voltou para a cidade o mostrou-os a sua sogra; além disso, tirou para fora, e deu-lhe dos sobejos da sua comida, de que ela se tinha saciado. 19Sua sogra disse-lhe: Onde respigaste hoje, onde trabalhaste? Abençoado seja quem se compadeceu de ti. Ela declarou-lhe em que propriedade tinha trabalhado, dizendo-lhe que o dono se chamava Booz. 20Noemi respondeu-lhe: Abençoado seja ele do Senhor, porque a mesma bondade que teve pelos vivos, a conservou também pelos mortos. E acrescentou: Este homem é nosso parente. 21Rute disse: Ele deu-me também ordem de me juntar aos seus segadores, até que se acabasse toda a ceifa. 22A sogra respondeu-lhe: É melhor minha filha que vás segar entre as moças desse homem, para que noutro campo ninguém te moleste. 23Ela pois incorporou-se com as moças de Booz, e respigou entre elas, até que a cevada e o trigo se recolheram nos celtiros. Capítulo 3 1Ora, depois que Rute voltou para sua sogra, esta disse-lhe: Minha filha, eu quero procurar-te descanso, e o farei de modo que fiques bem. 2Este Booz, com cujas criadas andaste junta no campo, é nosso parente, e esta noite joira a cevada na sua eira. 3Lava-te, pois, unge-te, toma os teus melhores vestidos e vai à (sua) eira. Não te veja este homem, sem que tenha acabado de comer e de beber. 4Quando for dormir, observa o lugar em que dorme. Irás, levantar-lhe-ás a capa com que se cobre da parte dos pés, e ali te deitarás, e ele mesmo te dirá o que deves fazer. 5Ela respondeu: Farei tudo o que mandares. 6Foi para a eira, e fez tudo o que a sogra lhe tinha mandado. 7Quando Booz, depois de ter comido e bebido, depois de estar mais alegre, se deitou a dormir junto de um monte de feixes, ela foi muito de mansinho, e, tendo-lhe levantado a capa pelos pés, deitou-se ali. 8Pela meia noite o homem despertou espavorido e torvado, ao ver uma mulher deitada aos seus pés, 9e disse-lhe: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva. Estende a tua capa sobre a tua serva, porque és parente (de meu marido, devendo por isso receber-me por esposa, visto que ele morreu sem filhos). 10Ele disse: Filha, bemdita sejas do Senhor, que excedeste a tua primeira bondade com esta de agora, pois que (sendo jovem) não buscaste jovens pobres ou ricos (mas aquele que a lei determina). 11Não temas, pois, que eu te farei tudo o que me disseres, porque todo o povo que habita dentro das portas da minha cidade, sabe que és uma mulher de virtude. 12Não nego que sou teu parente, mas há outro mais próximo que eu. 13Descansa esta noite; quando for manhã, se ele te quiser receber pelo direito de parentesco, está bem; se não quiser, viva o Senhor, que eu sem dúvida alguma te hei-de receber; dorme até pela manhã, 14Ela pois dormiu a seus pés, até ao fim da noite, e levantou-se antes que os homens se pudessem conhecer uns aos outros. Booz disse: Vê, não saiba ninguém que vieste aqui. 15E acrescentou: Estende a capa com que te cobres, seguia-a com ambas as mãos. Ela estendeu-a e segurou-a, e ele deu-lhe seis medidas de cevada, que lhe pôs às costas. Ela, levando-as, entrou na cidade, 16e foi ter com sua sogra, a qual lhe disse: Que fizeste filha? (Rute) contou-lhe tudo o que o homem tinha feito por ela. 17E acrescentou: Eis aqui seis medidas de cevada que ele me deu, dizendo: Não quero que voltes vazia para tua sogra. 18Noemi disse: Espera, filha, até vermos em que pára este negócio, porque aquele homem não descansará enquanto não cumprir o que prometeu. Capítulo 4 1Foi pois Booz à porta (da cidade) e sentou-se ali. Vendo passar o parente de que antes falam os, chamando-o pelo seu nome, disse-lhe: Vem cá por um pouco, e senta-te aqui. Ele foi e sentou-se. 2Então Booz, tomando dez homens dos anciãos da cidade, disse-lhes: Sentai-vos aqui. 3Estando eles sentados, (Booz) disse ao parente: Noemi, que voltou do país de Moab, está para vender uma parte do campo de Elimelec, nosso irmão; 4eu quis informar-te disso e dizer-to diante de todos os que estão aqui sentados, dos anciãos do meu povo. Se o queres possuir pelo direito de parentesco, compra-o e fica com ele, mas, se te desagrada, dize-mo, para que eu saiba o que devo fazer; com efeito, não há outro parente senão tu, que és o primeiro, e eu, que sou o segundo. Ele respondeu: Eu comprarei o campo. 5Booz disse-lhe: Logo que compres o campo de Noemi, é também necessário que cases com Rute Moabita, que foi mulher do defunto, para que faças reviver o nome do teu parente na sua herança. 6Ele respondeu: Eu cedo o direito de parentesco, com receio de prejudicar os meus herdeiros; usa tu do meu privilégio, ao qual eu declaro que renuncio espontaneamente. 7Era um costume antigo em Israel, entre os parentes, que quando um cedia o seu direito a outro, para a cessão ser válida, o que cedia tirava o seu sapato e dava-o ao seu parente. Este era o testemunho da cessão em Israel. 8Disse pois Booz ao seu parente: Tira o teu sapato. E ele o tirou logo do pé. 9(Booz) disse aos anciãos e a todo o povo: Vós sois hoje testemunhas de que entro a possuir tudo o que era de Elimelec, Quelion e Maalon, entregando-mo Noemi, 10e de que recebo por esposa a Rute Moabita, mulher que foi de Maalon, a fim de eu fazer reviver o nome do defunto na sua herança, para o seu nome se não eliminar de entre os irmãos e da porta da sua cidade. Digo-vos, sois testemunhas disto. 11Respondeu todo o povo, que estava à porta, com os anciãos: Nós somos testemunhas; o Senhor faça que esta mulher, que entra na tua casa, seja como Raquel e Lia, que fundaram a casa de Israel. Que, por ela, sejas forte em Efrata, e tenha um nome célebre em Belém. 12Que a tua casa se torne como a casa de Farés, que Tamar deu á luz a Judá, pela posteridade que o Senhor te der desta jovem 13Booz pois tomou Rute, e casou com ela. Depois de a ter conhecido, o Senhor fez (a Rute) a graça de conceber e dar à luz um filho. 14E as mulheres disseram a Noemi: Bem dito seja o Senhor, que não permitiu que te faltasse um redentor! Que o seu nome seja celebrado em Israel! 15Terás quem console a tua alma, e te sustente na velhice, porque nasceu um menino de tua nora, a qual te ama, e é para ti muito melhor do que sete filhos, 16Noemi, tomando o menino, o pôs no seu regaço, e fazia as vezes de ama e de criada. 17As mulheres suas vizinhas congratulavam-se com ela, e diziam: Nasceu um filho a Noemi! Puseram-lhe o nome de Obed. Ele foi pai de Isai, pai de David.
Palavra do Senhor.