Primeira leitura
Leitura das Lamentações 2, 2-19
2BET. O Senhor destruiu, sem piedade, todas as moradas de Jacob: destruiu no seu furor as fortificações da filha de Judá, lançou-as por terra; rebaixou o reino e os seus príncipes. 3CHIMEL. Quebrou, no transporte do seu furor, todo o poderio de Israel; retirou a sua direita, em face do inimigo, e ateou em Jacob um incêndio que devora tudo em volta. 4DALET. Estendeu o seu arco como inimigo, firmou a sua direita como adversário, matou tudo o que era formoso à vista na tenda da filha de Sião, derramou como fogo a sua indignação. 5HE. O Senhor tornou-se como um inimigo; destruiu Israel, destruiu todos os seus palácios, arrasou as suas fortificações e encheu a filha de Judá de gemidos e mais gemidos. 6VAU. Destruiu a sua cerca como a dum jardim, demoliu o seu lugar de reunião; o Senhor suprimiu em Sião as festas e o sábado; rejeitou, na indignação do seu furor, o rei e o sacerdote. 7ZAIN. O Senhor perdeu a estima pelo seu altar, sentiu repulsa pelo seu santuário, entregou nas mãos dos Inimigos os muros das suas fortalezas; ergueram-se gritos na casa do Senhor, como em dia de solenidade. 8HET. O Senhor resolveu destruir os muros da filha de Sião; estendeu o seu cordel, e não retirou a sua mão, sem que ficasse tudo arruinado; enlutou o muro e antemuro, que estão, igualmente, desolados. 9TET. As suas portas estão sepultadas na terra; (o Senhor) destruiu, fez em pedaços as suas trancas; o seu rei e os seus príncipes estão entre as nações; já não há lei; os seus profetas já não conseguem visões do Senhor. 10JOD. Sentaram-se em terra, em silêncio, os velhos da filha de Sião; cobriram as suas cabeças de cinza, cingiram-se de cilícios. Inclinaram as suas cabeças até à terra, as virgens de Jerusalém. 11CAF. Os meus olhos enfraqueceram de tanto chorar, as minhas entranhas turbaram-se, o meu fígado derramou-se por terra vendo a ruína da filha do meu povo, quando caíam mortos os meninos e as crianças de peito nas praças da cidade. 12LAMED. Eles diziam a suas mães: Onde está o trigo e o vinho? - quando, como feridos, iam desfalecendo nas praças da cidade, quando entregavam as suas almas no regaço de suas mães. 13MEM. A quem te compararei, a quem te assemelharei, é filha de Jerusalém? Quem acharei igual a ti, para te consolar, ó virgem, filha de Sião? É grande como o mar a tua ruína: quem poderá curar-te? 14NUN. Os teus profetas anunciaram, a teu respeito, visões vãs e insensatas, e não te manifestaram a tua iniquidade, para te evitarem o cativeiro, mas anunciaram-te visões de engano e de mentira. 15SAMEC. Batiam com as mãos, vendo-te todos os que passavam pelo caminho; assobiavam e abanavam a cabeça contra a filha de Jerusalém. Eis a cidade (diziam eles) de perfeita formosura, as delícias de toda a terra! 16FE. Abriam contra ti a sua boca todos os teus inimigos; assobiavam e rangiam os dentes, dizendo; Devorámo-la! Eis o dia que esperávamos; aqui o temos, aqui o vemos. 17AIN. O Senhor fez o que tinha planejado, cumpriu a palavra que tinha pronunciado desde os tempos antigos; destruiu sem piedade, alegrou o inimigo a teu respeito, exaltou o poder dos teus adversários. 18SADE. O seu coração clama ao Senhor! Ó muralha da filha de Sião, faze correr uma como torrente de lágrimas de dia e de noite; não te dês descanso algum, não repouse a pupila dos teus olhos. 19COF. Levanta-te, ergue clamores de noite, no princípio das vigílias; derrama o teu coração como água diante do Senhor; levanta as tuas mãos para ele, (chorando) pela vida dos teus filhinhos, que desfalecem de fome a todos os cantos das ruas.
Palavra do Senhor.
Salmo do dia
Sl 73(74)
A fonte indica o salmo, não as estrofes: aqui vai o salmo inteiro, da Bíblia da casa; o refrão e a divisão em estrofes são do Lecionário.
1Maskil. Do Asaf, Por que razão, ó Deus, nos desamparaste para sempre? (Por que razão) se acende a tua ira contra as ovelhas do teu pasto? 2Lembra-te da tua família, que fundaste desde a antiguidade, da tribo que para propriedade tua resgataste, do monte de Sião, em que estabeleceste a tua morada. 3Dirige os teus passos para essas ruínas irreparáveis: o inimigo tudo devastou no santuário. 4Rugiram os teus adversários no lugar da tua assembleia, arvoraram os seus estandartes como troféu. 5Pareciam-se com os que no bosque vibram o machado, 6e com o machado e o martelo igualmente despedaçam as suas portas. 7Puseram fogo ao teu santuário; na terra profanaram o tabernáculo do teu nome. 8Disseram no seu coração: "Destruámo-los todos juntamente; incendiai todos os santuários de Deus na terra." 9Já não vemos os nossos prodígios, já não há um profeta (que nos guie); nem há entre nós quem saiba até quando. 10Até quando, ó Deus, nos insultará o inimigo? O adversário há-de blasfemar sempre o teu nome? 11Por que retraia a tua mão? Por que reténs a tua direita no teu seio? 12Deus, todavia, é meu rei desde outrora, ele que opera a salvação no meio da terra. 13Tu com o teu poder abriste o mar (Vermelho), pisaste as cabeças dos dragões nas águas. 14Tu quebraste as cabeças do Leviatã, deste-lo por comida aos monstros marinhos. 15Tu fizeste brotar fontes e torrentes; tu secaste os rios caudalosos. 16Teu é o dia, e tua é a noite; tu fixaste a lua e o sol. 17Tu estabeleceste todos os limites da terra, o estio e o inverno, tu os formaste. 18Lembra-te disto: o inimigo ultrajou-te. Senhor, e um povo insensato blasfemou do teu nome. 19Não abandones ao abutre a vida da tua rola, e não esqueças para sempre as vidas dos teus pobres. 20Olha para a tua aliança, porque todos os esconderijos do país e os campos estão cheios de violência. 21Não se volte confundido o humilde: o pobre e o desvalido louvam o teu nome. 22Levanta-te, ó Deus, defende a tua causa; lembra-te do ultraje que o néscio te dirige continuamente. 23Não te esqueças dos gritos dos teus adversários: o tumulto dos que se insurgem contra ti aumenta continuamente.