Capítulo 2
Um Estranho no Caminho
2 min de leitura
A parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37) é um texto fundamental que nos convida a fazer ressurgir a nossa vocação de cidadãos do nosso país e do mundo inteiro, construtores de um novo vínculo social. É um apelo sempre novo, embora esteja escrito como lei fundamental do nosso ser: que a sociedade se encaminhe para a promoção do bem comum e, a partir desta finalidade, reconstrua incessantemente a sua ordem política e social, o seu tecido de relações, o seu projeto humano. A parábola mostra-nos como uma comunidade se reconstrói graças a homens e mulheres que se identificam com a fragilidade dos outros.
A parábola é clara. Um homem foi assaltado por bandidos, ficou ferido e abandonado na estrada. Passaram por ele um sacerdote e um levita, personalidades importantes da sociedade, e não pararam. Mas um samaritano — desprezado pela sociedade da época — passou por ele, encheu-se de compaixão e cuidou dele. Jesus conclui a parábola com uma pergunta: «Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?» (Lc 10, 36). A resposta é evidente: aquele que praticou a misericórdia. Jesus inverte a lógica da pergunta inicial, que era «quem é o meu próximo?», para nos fazer entender que a verdadeira questão é «de quem me faço próximo?».
Jesus propõe-nos esta parábola para que entendamos que a nossa vocação de amor não tem limites. O próximo não é aquele que pertence ao meu grupo, à minha família, à minha nação. O próximo é todo ser humano, sem exclusão, que encontro no caminho. O samaritano tornou-se próximo do homem ferido, ultrapassando todos os condicionamentos culturais e religiosos do seu tempo. Nas estradas do mundo, há demasiados feridos, demasiados excluídos. Há nações inteiras que são como o homem assaltado da parábola, porque modelos económicos desumanos as deixaram despojadas e abandonadas à beira do caminho da história.
Deslize para navegar entre capítulos