Capítulo 3
Pensar e Gerar um Mundo Aberto
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A capacidade de amar, para ser verdadeira, deve abranger todas as dimensões da existência humana. O amor ao próximo é realista e não desperdiça nada que seja necessário para provocar uma transformação da história que beneficie os últimos. Caso contrário, «o que tenho é tão meu que não posso partilhá-lo com ninguém», e então não há saída. A abertura universal ao amor não é uma utopia inalcançável, mas é a própria vocação inscrita no coração de cada ser humano pelo Criador. Deus chamou-nos a uma comunhão que transcende todas as fronteiras, e esta comunhão começa pelo reconhecimento da dignidade inalienável de cada pessoa.
Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo significa provar o amargo veneno da imanência, e qualquer opção que fizermos pelo outro acabará por nos empobrecer. A existência de cada um está profundamente ligada à dos outros: a vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro. O mundo existe para todos, porque todos nós, seres humanos, nascemos nesta terra com a mesma dignidade. As diferenças de cor, religião, aptidões, lugar de nascimento, residência e muitas outras não se podem antepor nem utilizar para justificar privilégios de uns em detrimento dos direitos de outros.
Quero recordar que «cada um de nós é plenamente pessoa quando pertence a um povo, e ao mesmo tempo não há verdadeiro povo sem respeito pelo rosto de cada pessoa». Povo e pessoa são termos correlativos. Há, porém, uma tentativa de impor uma cultura uniforme e unidimensional. Esta faz com que as pessoas percam a sua identidade. Proponho que se pense numa fraternidade aberta, que não discrimina, que integra e que cuida. Um povo vivo, dinâmico, com futuro, é aquele que está aberto e integra novas sínteses culturais, acolhendo o que é diferente e enriquecendo-se com a diversidade.
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