Capítulo 6
Diálogo e Amizade Social
2 min de leitura
Aproximar-se, expressar-se, escutar-se, olhar-se, conhecer-se, procurar compreender-se, encontrar pontos de contacto, tudo isto se resume no verbo «dialogar». Para nos encontrarmos e ajudarmos mutuamente, precisamos de dialogar. Não é necessário dizer para que serve o diálogo. Basta-me pensar que, sem o diálogo, não é possível reconhecer o outro, a sua dignidade, a sua riqueza. A cultura do encontro é uma vocação que nasce do coração do Evangelho e nos convida a ir ao encontro de todos, sem medo, com abertura e disponibilidade para aprender com o outro.
Hoje em dia, os mecanismos deste diálogo estão atrofiados. Tanto os governantes como os cidadãos sofrem de uma cultura mediática que os impede de prestar atenção aos assuntos reais. O debate público reduz-se frequentemente a um jogo de acusações recíprocas, em que se procura desqualificar o adversário em vez de propor soluções para os problemas concretos das pessoas. O diálogo autêntico exige humildade, escuta, respeito pelo outro e pela verdade. Sem estas atitudes, não há possibilidade de construir uma sociedade fraterna e justa. A amizade social é o fruto maduro de um diálogo contínuo e paciente.
A paz social é trabalhosa, artesanal. Seria mais fácil conter as liberdades e as diferenças com mão de ferro. Mas esta paz seria superficial e frágil, não seria o fruto de uma cultura do encontro que sustente um projeto comum. Não se trata de propor um «irenismo», nem de tolerar injustiças para evitar conflitos. Trata-se, antes, de aceitar que o conflito é inevitável e de encontrar formas de o resolver por meio do diálogo. A verdadeira paz não é a ausência de conflito, mas a presença de justiça, de fraternidade e de solidariedade. É o fruto do amor que se traduz em gestos concretos de cuidado pelo outro e pelo bem comum.
O diálogo inter-religioso é uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para os cristãos e para as outras comunidades religiosas. Este diálogo deve ser uma conversa sobre a vida humana ou simplesmente, como propõem os Bispos da Índia, «estar aberto a eles, partilhando as suas alegrias e tristezas». É no encontro sincero e respeitoso entre pessoas de fés diferentes que se constrói a fraternidade universal. As religiões, ao serviço da fraternidade no mundo, são chamadas a ultrapassar suspeitas, preconceitos e medos, e a caminhar juntas na promoção da dignidade humana, da justiça e da paz.
Deslize para navegar entre capítulos