Capítulo 5
A Melhor Política
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Para tornar possível o desenvolvimento de uma comunidade mundial, capaz de realizar a fraternidade a partir dos povos e nações que vivam a amizade social, é necessária a melhor política, aquela que está ao serviço do verdadeiro bem comum. Infelizmente, a política hoje assume frequentemente formas que dificultam o caminho para um mundo diferente. O populismo e o liberalismo são dois extremos que impedem o desenvolvimento humano integral. A grande política consiste em reconhecer a dignidade de cada pessoa humana e em criar as condições para que cada um possa desenvolver as suas capacidades ao serviço do bem comum.
A política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. Hoje, pensando no bem comum, precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana. A finança especulativa e o poder económico desregulado são ameaças à democracia e ao bem comum. O mercado sozinho não resolve tudo, embora às vezes os livros de texto de economia pareçam sugeri-lo. A caridade, que é a alma da vida social, deve ser o princípio orientador de toda a ação política verdadeiramente humana.
A função social da propriedade é um princípio central da doutrina social da Igreja. O direito à propriedade privada só pode ser considerado como um direito natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados. A tradição cristã nunca reconheceu o direito à propriedade privada como absoluto e intocável. Todo o ser humano tem direito a viver com dignidade, a alimentar-se adequadamente, a ter acesso à educação, ao trabalho, à assistência sanitária e a uma habitação digna. Estes são direitos fundamentais que nenhuma estrutura económica ou política pode negar.
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