Capítulo 1
As Diversas Religiões Não Cristãs
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Desde os tempos mais remotos até aos nossos dias, encontra-se nos diversos povos uma certa percepção daquela força arcana que está presente ao curso das coisas e aos acontecimentos da vida humana; por vezes chega mesmo a um reconhecimento da Divindade suprema ou do Pai. Esta percepção e este reconhecimento penetram a vida desses povos com um profundo sentido religioso. Por sua vez, as religiões ligadas ao progresso da cultura esforçam-se por responder às mesmas questões com noções mais apuradas e com uma linguagem mais elaborada. Assim, no Hinduísmo, os homens investigam o mistério divino e exprimem-no com a fecundidade inesgotável dos mitos e com os penetrantes esforços da filosofia; procuram a libertação das angústias da nossa condição, quer por meio de formas de vida ascética, quer pela meditação profunda, quer pelo refúgio em Deus com amor e confiança. No Budismo, segundo as suas várias formas, reconhece-se a insuficiência radical deste mundo mutável e ensina-se o caminho pelo qual os homens, com espírito devoto e confiante, possam adquirir o estado de libertação perfeita ou atingir, pelo próprio esforço ou por socorro de cima, a suprema iluminação. Igualmente, as outras religiões que se encontram no mundo inteiro se esforçam por ir ao encontro da inquietação do coração humano, propondo caminhos, isto é, doutrinas e regras de vida e ritos sagrados.
A Igreja olha também com apreço para os muçulmanos que adoram o Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, Criador do céu e da terra, que falou aos homens. Procuram submeter-se de todo o coração aos decretos de Deus, mesmo ocultos, tal como a Deus se submeteu Abraão, ao qual a fé islâmica de bom grado se refere. Embora não reconheçam Jesus como Deus, veneram-no contudo como profeta; honram a sua Mãe virginal, Maria, e por vezes invocam-na devotamente. Aguardam, além disso, o dia do juízo, quando Deus remunerará todos os homens ressuscitados. Estimam por isso a vida moral e prestam culto a Deus sobretudo pela oração, pelas esmolas e pelo jejum. Se no decurso dos séculos não poucas desavenças e inimizades surgiram entre cristãos e muçulmanos, o sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, façam um esforço sincero de compreensão mútua e promovam juntos, em favor de todos os homens, a justiça social, os valores morais, a paz e a liberdade.
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