Capítulo 1
O Presbiterado na Missão da Igreja
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O Senhor Jesus, «a quem o Pai santificou e enviou ao mundo» (Jo 10, 36), fez todo o seu Corpo Místico participante da unção do Espírito que Ele recebeu. NEle, com efeito, todos os fiéis se tornam sacerdócio santo e régio, oferecem a Deus oblações espirituais por Jesus Cristo, e anunciam as maravilhas dAquele que os chamou das trevas para a sua admirável luz. Não há, portanto, nenhum membro que não tenha parte na missão de todo o Corpo; antes, cada um deles deve santificar Jesus no seu coração e dar testemunho de Jesus pelo espírito de profecia. O mesmo Senhor, porém, para que os fiéis formassem um só corpo, no qual «nem todos os membros têm a mesma função» (Rom 12, 4), de entre eles constituiu alguns como ministros que, na sociedade dos fiéis, possuíssem o poder sagrado da Ordem para oferecer o Sacrifício e perdoar os pecados, e nele exercessem publicamente, em nome de Cristo, o ofício sacerdotal em favor dos homens.
Os presbíteros, tirados do meio dos homens e constituídos em favor dos homens nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecerem dons e sacrifícios pelos pecados, vivem com os outros homens como irmãos. Assim fez também o Senhor Jesus, Filho de Deus, homem enviado pelo Pai aos homens, que habitou entre nós e quis assemelhar-se em tudo aos irmãos, excepto no pecado. Já os santos Apóstolos O imitaram, e São Paulo, doutor das gentes, «posto à parte para o Evangelho de Deus» (Rom 1, 1), testemunha que se fez tudo para todos, a fim de salvar a todos (cfr. 1 Cor 9, 19-23). Os presbíteros da Nova Aliança, em virtude da sua vocação e ordenação, são de algum modo segregados no seio do Povo de Deus; não para se separarem dele nem de qualquer homem, mas para se consagrarem totalmente à obra para a qual o Senhor os chama. Não poderiam ser ministros de Cristo se não fossem testemunhas e dispensadores de uma vida diversa da terrena; nem poderiam servir os homens se permanecessem alheios à vida e às condições dos mesmos.
O Povo de Deus é congregado, antes de mais, pela Palavra de Deus vivo, a qual com toda a razão se espera da boca dos sacerdotes. Com efeito, uma vez que ninguém pode salvar-se sem antes ter crido, os presbíteros, como cooperadores dos Bispos, têm como primeiro dever anunciar a todos o Evangelho de Deus, para que, cumprindo o mandato do Senhor: «Ide pelo mundo inteiro, pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15), constituam e aumentem o Povo de Deus. Pela palavra salvífica, a fé é suscitada no coração dos não crentes e nutrida no coração dos crentes; pela fé, tem início e cresce a assembleia dos fiéis, segundo a sentença do Apóstolo: «A fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo» (Rom 10, 17). Os presbíteros são, pois, devedores a todos, de lhes comunicar a verdade do Evangelho de que gozam no Senhor.
Deus, o único Santo e Santificador, quis associar a Si homens como companheiros e ajudantes, para servirem humildemente na obra de santificação. Por isso, os presbíteros são consagrados por Deus, por intermédio do Bispo, para que, feitos de modo especial participantes do sacerdócio de Cristo, actuem nas celebrações sagradas como ministros dAquele que, pela acção do seu Espírito, exerce continuamente em nosso favor o seu múnus sacerdotal na Liturgia. Pelo Baptismo, introduzem os homens no Povo de Deus; pelo Sacramento da Penitência, reconciliam os pecadores com Deus e com a Igreja; pelo óleo dos enfermos, aliviam os doentes; e sobretudo pela celebração da Missa, oferecem sacramentalmente o sacrifício de Cristo. Mas em cada celebração sacramental, como já São Inácio Mártir testemunhava nos primeiros tempos, estão ligados hierarquicamente ao Bispo de modos diversos, e assim o tornam de certa maneira presente em cada assembleia dos fiéis.
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