Capítulo 1
O Mistério da Redenção
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O mistério da Redenção é o centro de toda a história da salvação e o fundamento da missão da Igreja. Deus, na plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho unigénito ao mundo, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de recebermos a adopção de filhos (cfr. Gl 4, 4-5). Em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Deus manifestou de modo definitivo o Seu amor pela humanidade. A cruz de Cristo não é apenas o sinal do sofrimento, mas o instrumento supremo da redenção: nela, o pecado do mundo foi destruído e a vida nova foi oferecida a todos os homens. A ressurreição confirmou a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, abrindo para toda a humanidade o caminho da vida eterna.
A Redenção operada por Cristo tem uma dimensão universal. Não se dirige apenas a um povo, a uma cultura ou a uma época, mas a toda a humanidade de todos os tempos e de todos os lugares. «Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2, 4). Este desígnio universal de salvação não anula a liberdade humana, mas convida cada homem a acolher livremente o dom da redenção. Cristo morreu por todos, mas cada um é chamado a apropriar-se pessoalmente dos frutos da Sua morte e ressurreição, mediante a fé e os sacramentos. A universalidade da redenção é o fundamento da missão evangelizadora da Igreja, que se sente impelida a levar a todos os homens o anúncio da salvação.
O mistério da Redenção revela, de modo insuperável, o valor de cada pessoa humana aos olhos de Deus. Se o Filho de Deus Se encarnou, sofreu e morreu por cada homem, isso significa que cada homem tem um valor infinito diante de Deus. A dignidade da pessoa humana não se funda em critérios de utilidade social, de capacidade produtiva ou de perfeição física, mas no facto de ter sido criada por Deus e redimida por Cristo. Esta verdade é a base mais sólida para a defesa dos direitos humanos e para a promoção da justiça social. Toda a violação da dignidade humana é, em última análise, uma ofensa ao Redentor que, em cada homem, reconhece um irmão pelo qual deu a Sua vida.
A dimensão divina do mistério da Redenção é inseparável da sua dimensão humana. Cristo, ao assumir a natureza humana, elevou-a a uma dignidade incomparável. A encarnação do Verbo não é apenas um episódio da história, mas o acontecimento central que confere sentido a toda a existência humana. «Na realidade, o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado», como ensinou o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, 22). Em Cristo, o homem descobre quem é, de onde vem e para onde vai. Sem Cristo, o homem permanece um enigma para si mesmo, uma pergunta sem resposta, um anseio sem realização.
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