Venâncio Fortunato (†609), bispo de Poitiers
Hino de Vésperas do Tempo da Paixão e da festa da Exaltação da Santa Cruz. Genuflecte-se à estrofe «O Crux, ave».
Os estandartes do Rei avançam:
fulge o mistério da Cruz,
em que a vida suportou a morte
e, morrendo, fez brotar a vida.
2.Ferida pela ponta cruel
da lança, para lavar-nos
das manchas do pecado,
verteu água e sangue.
3.Cumpriu-se o que cantou
Davi em fiel poema,
dizendo às nações:
Deus reinou desde o madeiro.
4.Árvore formosa e fulgurante,
ornada com a púrpura do Rei,
eleita, em tronco digno,
para tocar membros tão santos.
5.Bendita, em cujos braços
pendeu o preço do mundo:
feita balança do corpo,
arrebatou ao abismo a sua presa.
6.Salve, ó Cruz, esperança única!
Neste tempo da Paixão,
aumentai a graça aos justos
e apagai os crimes aos réus.
7.A vós, Trindade, fonte de salvação,
louve todo espírito:
àqueles a quem dais a vitória da Cruz,
acrescentai também o prêmio.
Amen.
Liber Usualis 1961, p. 575 (GregoBase id 2120)