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Sexta-feira Santa

Feria VI in Passione Domini

A Celebração da Paixão do Senhor não é uma Missa — não há consagração. O Graduale Romanum (1974), pp. 172–184, apresenta três momentos: a Liturgia da Palavra com dois cantos (Tractus do Sl 101 após a primeira leitura; Gradual «Christus factus est» por remissão à p. 148 após a segunda); a Adoração da Santa Cruz com o convite «Ecce lignum Crucis», a antífona «Crucem tuam adoramus», os Impropérios («Pópule meus») com o Triságio grego-latino e o hino «Crux fidélis / Pange lingua certáminis» (Venâncio Fortunato); e a Sagrada Comunhão, que o GR 1974 prescreve em silêncio ou com canto apto escolhido livremente. Na Sagrada Comunhão o Graduale prescreve o silêncio («omnes in silentio stant»), podendo executar-se um canto apto.

Liturgia da Palavra

Salmo 101 (102), 2-5. 14

Após a primeira leitura (Is 52, 13 — 53, 12).

Dómine, exáudi oratiónem meam,

et clamor meus ad te véniat.

℣.Ne avértas fáciem tuam a me:

in quacúmque die tríbuler,

ínclina ad me aurem tuam.

℣.Quia defecérunt sicut fumus dies mei:

et ossa mea sicut crémium aruérunt.

℣.Percússus sum sicut fænum,

et áruit cor meum:

quia oblítus sum comédere panem meum.

℣.Tu exsúrgens, Dómine, miseréberis Sion:

quia venit tempus miseréndi eius.

Senhor, escutai a minha oração

e chegue até vós o meu clamor.

℣.Não escondais de mim o vosso rosto:

no dia em que me aflijo,

inclinai para mim o vosso ouvido.

℣.Porque os meus dias se dissiparam como fumo

e os meus ossos arderam como brasas.

℣.Fui ferido como a erva,

e o meu coração secou:

porque me esqueci de comer o meu pão.

℣.Vós levantareis, Senhor, e tereis compaixão de Sião:

porque é chegado o tempo de lhe fazerdes misericórdia.

Graduale Romanum 1974, pp. 172–174 (TR.II; Sl 101, 2-5 et 14). Não encontrado no GregoBase catalogado sob fonte GR 1974; sem transcrição GABC disponível para download.

Filipenses 2, 8; ℣. Filipenses 2, 9

Após a segunda leitura (Hebreus 4, 14-16; 5, 7-9).

Cristo tornou-se obediente por nós

até à morte,

e morte de cruz.

℣.Por isso Deus o exaltou

e lhe deu o nome

que está acima de todo o nome.

Graduale Romanum 1974, p. 148 (Dominica in Palmis, Post lect. II; melodia: GR 1961, p. 202)

Adoração da Santa Cruz

Salmo 66, 2

O celebrante mostra a Cruz ao povo em três elevações progressivas, cantando cada vez em tom mais alto. O coro responde «Veníte, adorémus».

Partitura em revisão

Ecce lignum Crucis,

in quo salus mundi pepéndit.

Omnes: Veníte, adorémus.

Eis o madeiro da Cruz,

no qual foi suspensa a salvação do mundo.

Todos: Vinde, adoremos.

Graduale Romanum 1974, p. 174 (modo 6; GregoBase ID 4612).

Salmo 66, 2

Canta-se durante a adoração da Santa Cruz. Repete-se a antífona após o versículo salmódico.

Partitura em revisão

Crucem tuam adorámus, Dómine:

et sanctam ressurectiónem tuam laudámus et glorificámus:

ecce enim propter lignum

venit gáudium in univérso mundo.

Ps.Deus misereátur nostri, et benedícat nobis:

illúminet vultum suum super nos,

et misereátur nostri.

Adoramos a vossa Cruz, Senhor,

e louvamos e glorificamos a vossa santa ressurreição:

pois graças ao madeiro

veio a alegria ao mundo inteiro.

Sl.Deus, tende compaixão de nós e abençoai-nos:

fazei resplandecer o vosso rosto sobre nós,

e tende compaixão de nós.

Graduale Romanum 1974, p. 175 (modo 4; GregoBase ID 17786).

Miqueias 6, 3-4; Êxodo; cf. textos patrísticos e litúrgicos tradicionais

Os Impropérios são cantados durante a adoração da Cruz, enquanto fiéis se aproximam um a um. Dois cantores (ou o primeiro coro) entoam o «Pópule meus» e os versículos; todos respondem «Pópule meus» após cada versículo. O Triságio (grego-latim, canto separado) intercala-se entre os versículos I e II dos Impropérios I.

Povo meu, que mal te fiz?

Ou em que te contristei?

Responde-me.

℣.Porque te tirei da terra do Egito:

e tu preparaste a Cruz para o teu Salvador.

[Triságio — ver canto seguinte]

℣.Eu, por ti, flagelei o Egito

com os seus primogênitos:

e tu me entregaste, flagelado.

℣.Eu te tirei do Egito,

afogando o Faraó no mar Vermelho:

e tu me entregaste aos príncipes dos sacerdotes.

℣.Eu abri o mar diante de ti:

e tu abriste com a lança o meu lado.

℣.Eu fui diante de ti na coluna de nuvem:

e tu me conduziste ao pretório de Pilatos.

℣.Eu te alimentei com o maná no deserto:

e tu me bateste com socos e açoites.

℣.Eu te dei a beber água salvífica da rocha:

e tu me deste a beber fel e vinagre.

℣.Eu, por ti, abati os reis dos cananeus:

e tu bateste com uma cana na minha cabeça.

℣.Eu te dei o cetro régio:

e tu puseste na minha cabeça uma coroa de espinhos.

℣.Eu te exaltei com grande poder:

e tu me suspendeste no madeiro da cruz.

Graduale Romanum 1974, pp. 176–181 (= GR 1961, p. 225 / LU 1961, p. 737; GregoBase ID 2847). O GABC contém o «Pópule meus» I com o primeiro versículo; os demais versículos cantam-se com a mesma melodia.

Liturgia greco-latina do Tríduo

O Triságio canta-se após o primeiro versículo do «Pópule meus» I, alternando grego e latim. O primeiro coro canta a aclamação grega, o segundo responde em latim; depois, o segundo coro canta o grego e o primeiro responde em latim. O GABC usa transliteração latina do grego — sem caracteres gregos Unicode.

Santo Deus.

Santo Deus.

Santo Forte.

Santo Forte.

Santo Imortal, tende piedade de nós.

Santo Imortal, tende piedade de nós.

Graduale Romanum 1974, pp. 176–177 (= GR 1961, p. 226 / LU 1961, p. 737; GregoBase ID 4311, elem 1). O ID 4311 contém 6 elementos: três pares grego-latim das três invocações.

Venâncio Fortunato (†609), bispo de Poitiers

Canta-se durante a adoração da Cruz. O refrão «Crux fidélis, inter omnes… * Dulce lignum» alterna com as estrofes do Pange lingua. Modo I. As estrofes VI a VIII (Lustra sex, En acetum, Sola digna) não têm notação própria e cantam-se com a melodia das estrofes I–V. A doxologia («Æqua Patri Filioque») encerra o hino.

Cruz fiel, entre todas

a única árvore nobre:

nenhuma floresta produz semelhante

em folha, flor e grão.

* Doce madeiro, de doce cravo,

que suportais um doce peso.

℣.I. Proclama, ó língua, o combate

do glorioso certame,

e sobre o troféu da Cruz

diz o nobre triunfo:

como o Redentor do mundo

venceu imolando-se. * Doce madeiro.

℣.II. O Criador, compadecendo-se

do engano do primeiro pai,

quando por morder o fruto funesto

caiu na morte,

marcou então uma madeira

para reparar os danos da madeira. * Doce.

℣.III. A ordem da nossa salvação

reclamava esta obra:

para que enganasse pelo artifício

o traidor multiforme:

e trouxesse o remédio de onde

o inimigo tinha ferido. Cruz fiel.

℣.IV. Quando veio, portanto,

A plenitude do tempo sagrado,

foi enviado da morada do Pai

o Filho, Criador do mundo:

e vindo do seio virginal

apresentou-se feito carne. * Doce madeiro.

℣.V. Chora o Menino em estreita manjedoura:

a Mãe Virgem envolve em panos

os seus membros;

e com faixas apertadas cinge

as mãos, os pés e as pernas. Cruz fiel.

℣.VI. Cumpridos já trinta e seis anos,

no tempo pleno de seu corpo,

de livre e espontânea vontade

é levantado na madeira da Cruz

como cordeiro a ser imolado. * Doce.

℣.VII. Eis o vinagre, o fel, a cana,

os escarros, os cravos, a lança:

o corpo suave é trespassado,

corre sangue e água;

a terra, o mar, os astros, o mundo

no qual são lavados! Cruz fiel.

℣.VIII. Só vós fostes digna

de suportar o preço do século,

e de preparar o porto

para o mundo naufragado:

vós que o sangue sagrado consagrou,

derramado do corpo do Cordeiro. * Doce.

Conclussão nunca omitida:

℣.Igual ao Pai e ao Filho,

e ao excelso Paráclito,

seja ao bem-aventurado Trindade

a glória sem fim;

cuja graça benfazeja

nos remiu e nos guarda. Ámen. * Doce.

Graduale Romanum 1974, pp. 182–184 (modo 1; GregoBase ID 17928, 6 elementos). Arquivo salvo: elem 1 (refrão Crux fidelis + estrofe I).

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